Saturday, October 22, 2011

Até já...

O grande dia chegou! E é impossível descrever toda a emoção associada ao mesmo. Estou num verdadeiro turbilhão. Enquanto estou quase a dar início a uma grande aventura, sinto as saudades de todos os que ficam por cá. Hoje não é um dia de palavras, é um dia de sentimentos...

Deixo aqui o meu até já. Um "até já" com duplo sentido. O primeiro porque vou ficar quinze dias sem escrever. Quando voltar o meu blogue arranca a sério e a minha aventura já estará em andamento. O outro porque sei que o tempo que separa o meu ir do meu chegar vai passar a voar...

Sunday, October 16, 2011

Última semana...

Chegou a última semana. Dizer que o tempo passou a voar é um cliché. Mas um que assenta na perfeição o decorrer destes meses. Quase sem recordação do desfolhar dos dias, uma última semana apresenta-se à minha frente. Uma de emoções fortes, como têm sido as que passaram.

Saí do trabalho. Foi estranho. Uma experiência que ainda não tinha atravessado. Fechou-se um ciclo. Deixo para trás a rotina diária e a segurança de uma vida estável. Encontrei, ao longo dos últimos 10 anos, amig@s e pessoas extraordinárias. Não desminto que passei por situações desagradáveis, mas tudo o resto superou esses momentos. Cresci e aprendi muito. Sinto que era uma pessoa diferente quando entrei no trabalho. Como em tudo na minha vida tive a sorte do meu lado. A mão amiga quando precisei, o conselho no momento certo e a paciência de muitas pessoas. Não era o meu destino continuar, mas foi complicado tomar a decisão de partir.

Sei que no dia-a-dia é dificil ver para além dos problemas, mas trabalhar é muito mais que executar tarefas. É partilhar espaços, emocionais e fisicos, e, mais que tudo, partilhar vivências com outras pessoas. Sem dúvida, é o mais importante que levo comigo – as pessoas. Guardarei para sempre, no cantinho mais importante da minha alma, as mesmas. Porque foram elas que partilharam comigo estes 10 anos de experiência laboral. Saio com um profundo sentido de gratidão por tudo o que recebi.

Mas o sonho falou mais alto. Julgo que é aí que esta aventura se inícia, com um sonho. Depois, quase como um chamamento, tu és empurrado para escolhas que te guiam a esta última semana. Escolhas que acontecem porque é para realizar os sonhos que inventaram o verbo viver....

Tuesday, September 20, 2011

O tempo voa...

Nunca senti tanto esta expressão: “o tempo voa”. Voltei aqui para pensar no que melhorar e reparei que o meu último post foi há um mês. Muito aconteceu desde que comecei os preparativos iniciais. Agora já pouco me falta para ter tudo pronto. E se os ultimos 30 dias passaram a voar, os próximos vão desaparecer sem dar conta...

Saturday, August 20, 2011

Preparativos iniciais

Não sei muito bem onde estou. Parte de mim já partiu. Apenas me apercebi disto quando entreguei a carta de demissão. Mais do que uma simples carta é uma vida que deixava para trás. A partir desse momento tudo mudou. O meu espírito seguiu o seu caminho enquanto deixou o meu corpo para tratar dos preparativos.

E o primeiro foi sentar-me e começar a planear os pormenores desta viagem. Chegou a altura de decidir. É díficil não nos perdermos nas opções. Por isso a minha primeira decisão foi o de tomar o mínimo de decisões. Quero ir ao sabor do vento e ter a oportunidade de estar perdido. Assim tirando o primeiro percurso, Istambul-Mumbai, tudo será decidido pelo caminho. Tenho uma orientação de quais trilhos quero percorrer, mas não vale a pena ter mais que isso.

De seguida começou a fase das compras. Ou melhor das tentativas de compras. É um longo processo de tomada de decisão. Estou consciente que cada euro que sai é menos alguns metros na minha viagem, por isso há que ser bastante cuidadoso nas minhas escolhas. E é uma transformação interessante. Tendo vivido o boom do consumismo, todo o meu processo mental foi distorcido. O impulso de comprar aparece em cada esquina ou montra.

No entanto, pela primeira vez tenho um travão mental. E esse faz-me perder interesse em cerca de 99% das coisas que vejo. Tudo passa a ganhar um tom de surrealidade e este mundo deixa de fazer sentido. Vejo que muito mudou nas ultimas décadas. Já não compras um produto. Compras um cabaz. O melhor exemplo é o telemóvel, que actualmente é um não-sei-quantos-em-1. Assim, a tua tomada de decisão tornou-se bem mais complexa. Não estranho a opção publicitária de apelar ao consumo pela emoção. Isso torna todo o processo de decisão muito mais fácil.

Resultado desta minha primeira investida: não comprei quase nada. Traduzindo: comprei apenas um item dos que preciso. Gosto sempre de começar pela “casa”. A minha tem 3 compartimentos, alguns anexos e materiais de excelência. Ah, e tem alças. Encontrei-a numa loja de especialidade no Alto dos Moinhos. Daquelas à moda antiga, em que quem por lá trabalha não só percebe da coisa como tem prazer no que faz. Não se compra uma “casa” num daqueles espaços standardizados.

A pessoa que me atendeu disse logo uma marca: deuter. Vimos alguns modelos, mas os meus olhos já se tinham apaixonado por uma. Ainda tentei manter a racionalidade e fui para casa pesquisar na internet. Ou melhor, fui para casa apenas fingir que ia tomar uma decisão ponderada. Óbvio que no dia seguinte já tinha a mochila.

E depois desta febre consumista, apareceram os compromissos “administrativos”. Adivinharam: vistos e vacinas. Começando pelos últimos, foi uma agradável surpresa descobrir que tudo está mais facilitado. Foi mesmo só chegar ao centro de saúde e receber a vacina que se encontrava em atraso, enquanto aguardo pela consulta de viajante. Foi estranho voltar a um sítio onde já passei tantas horas da minha vida. Apesar das inúmeras renovações, ainda encontro os recantos onde tantas vezes brinquei. “Privilégios” de ter uma mãe enfermeira.

Já a história dos vistos não é tão “romântica”. Que gente complicada que gere os países. Bem sei que estou mal habituado na Europa, essa terra sem fronteiras. Não gosto de coisas desnecessárias e, para quem quer apenas visitar países, toda esta burocracia parece uma completa perda de tempo. O que vale é que no final fico com um caderninho cheio de carimbos...

Sunday, July 24, 2011

F.A.Q 2 – O itinerário (versão curta)

Ainda numa fase muito embrionária, já tenho um esboço daquilo que será o meu futuro itinerário. Parto com total liberdade. Tal significa que dificilmente cumprirei o que vou escrever abaixo. Leiam mais como um processo de intenção do que uma rota rígida.

Novembro: Turquia e Irão

Começo por duas culturas que sempre me apaixonaram. Istambul sempre foi mitica para mim e é a minha porta de entrada para dez meses a viajar. Depois dou um pulinho a Capadoccia para imagens que por certo me ficarão na memória. Acabo o mês na terra dos Persas e das Mil e Uma Noites.

Dezembro: India

Aterrar na megapolis Mumbai para enfrentar sem receios a India moderna. Depois rumo ao Sul para conhecer esta parte da India. Goa é sem dúvida uma dos highlights. É uma das cidades que já há muito tempo anseio visitar. Na minha adolescência Goa era o sitio para ir. E, passado alguns anos, lá estarei.

Janeiro: India

Depois de conhecer o Sul rumo ao Norte. E aqui é dificil de dizer o que não quero ver. Talvez a parte da India que mais pessoas ouviram falar. A lista é extensa e deixo apenas um sitio, por ser aquele que há mais tempo desejei ir: Taj Mahal.

Fevereiro: Nepal e China

É altura de beber a paz budista. Se possível passar uma semana num templo. Depois é rumar ao Tibete onde ficarei uns dias. Gostaria de avançar pela China e entrar em Laos por aqui, mas tal ainda não é uma certeza. Caso não consiga é voltar à India e apanhar um avião para a Tailândia.

Março: Sudeste Asiático (Laos, Cambodja e Vietname)

Outro dos meus sonhos de criança: Angkor Vat. A expectativa para esta parte do globo é grande. Entre outras coisas apetece-me passear pelo Mekong e conhecer por dentro a história brutal da guerra do Vietname

Abril: China

Quem não se lembra d'“Os heróis de Shaolin”? Bem apenas posso dizer que tentarei “visitá-los”. China é das maiores incognitas na minha viagem. Não sei muito o que esperar. Tem em mim uma paixão antiga, mas a cultura actual chinesa causa-me receio que se possa tornar numa desilusão. Independente do que acontecer, a possibilidade de andar na muralha da China é algo que já me deixa sem palavras.

Maio: Japão e Austrália

Arvores em flor, jardins perfeitos e templos pacíficos. É esta a imagem que imagino do Japão. Há algum tempo que sou um apaixonado por este país e pela sua cultura. A contrastar esta imagem aparece a moderna Tokyo, uma das cidades que mais me enche as medidas. Não me importaria de viver aqui uns anos, mas isso ficará para dias vindouros. Australia aparece por acaso. Em principio a rota mais barata para a América Latina passa por aqui, pelo que devo aproveitar para ter um cheirinho desta terra.

Junho: Brasil e Argentina

Aterro no Rio de Janeiro, mas será por pouco tempo. Rumo ao sul em direcção às cataratas de Iguaçu, fazendo uma ou outra paragem pelo caminho. Depois chego à cidade do Tango, Buenos Aires. Já me sinto a dançar (na realidade mais a ver) ao som desta cidade. Começo então o caminho para a Patagónia.

Julho: Chile e Peru

E chego ao ponto mais a Sul da minha viagem. Espera-me paisagens que de certo me tornarão mais humilde. E como não penso ir até à Antártida é altura de rumar a norte, visitar a ilha de Páscoa e entrar no Peru pelo lago Titicaca. E neste país, apesar de tantos highlights, só tenho duas palavras: Machu Pichu.

Agosto: Brasil

Termino a viagem perdido na selva, para depois saborear a costa brasileira. Rumarei até ao meu destino final: Rio de Janeiro. Sem dúvida uma bom porto para terminar esta longa jornada.

Nota Final: esta é a versão mais curta do que será a minha viagem. Caso o orçamento dê para mais não ficarei por aqui...

Sunday, July 3, 2011

F.A.Q. 1 – “Quanto é o orçamento para uma volta ao mundo?”

Gosto da forma doce como me perguntam quanto vai custar este sonho. Talvez seja uma caracteristica dos portugueses. Com raízes católicas ainda estamos habituados a ver o tema “dinheiro” com alguma vergonha. Assim, quando perguntam se me importo de dizer o meu orçamento, eu respondo que não. E como sei que é possivelmente a primeira questão que está na cabeça de uma pessoa, escolho-a para abrir a minha secção de F.A.Q.'s.

A resposta é: 20.000,00 Eur. Para uns é muito, para outros é pouco. Para mim é a conta certa. Dito o valor, explico como cheguei ao mesmo. Como sempre comecei pela net. Googlei a expressão “World trip budget” e no meio de vários artigos fui recolhendo informações (uma tool porreira que descobri foi este ficheiro, que foi criado por Filipe Morato Gomes).

Logo vi que um orçamento para uma viagem deste tipo é muito variável. Depende do teu itinerário, do que fazes na viagem e da fase da tua vida em que te encontras. O primeiro e o segundo são fáceis de explicar. O nível de desenvolvimento dos países afecta directamente quanto tu gastas. E neste ponto os extremos tocam-se: países muito desenvolvidos e muito pobres são mais caros enquanto países em vias de desenvolvimento ou semi-desenvolvidos são mais ligeiros para a carteira. Por outro lado se queres ter “luxos” os mesmos inflacionarão o orçamento. A fase da tua vida dir-te-á os “vicios” que já acumulaste. E esses trarão necessariamente custos adicionais. Quer seja o tabaco, a internet ou aquela dor nas costas, tudo isto tem impacto no orçamento. Aliás não é só no corpo que perdes flexibilidade, muitas vezes é mesmo nos hábitos que as pessoas tendem a ficar menos flexíveis com o tempo.

Dito isto, e fazendo um processo de auto-análise, cheguei ao ponto que sabia quais eram os meus limites pessoais. Poderia passar então à fase de criar um orçamento. E uma vez mais tens duas escolhas: ou utilizar uma estratégia “Top-Down” ou então segues a “Bottom-up”. Esta última passa por ir fazendo um levantamento de todos os custos da viagem e no final chegar à conclusão de quanto custará. Comecei o meu orçamento desta forma, e rapidamente cheguei à conclusão que não ia a lado nenhum. Esta estratégia implica teres conhecimento de tudo o que vais fazer. Ora, num universo de possibilidades, isso é uma tarefa infinita. A opção tornou-se clara. Teria que definir o meu máximo para gastar na viagem e a partir daí efectuar o planeamento. E numa mistura de auto-análise pessoal, de capacidade financeira e de vontade real de ir, cheguei a este valor.

Não é só a viagem que é algo único. A forma de orçamentares a mesma também o é. A questão não passa pelo “será que tenho dinheiro para isto?” mas sim pelo “será que quero mesmo ir dar uma volta ao mundo?”. Se responderes que sim à ultima pergunta, a primeira fica resolvida. E esta foi uma das primeiras lições que aprendi. A vontade de fazeres algo depende só de ti.

“Quanto é o orçamento para uma volta ao mundo?” A minha resposta é simples. Entre 1 a 1.000.000,00 Euros. Tudo depende da tua vontade.

Saturday, April 30, 2011

O mundo é redondo!

Tudo tem um início. E numa viagem isso ainda é mais importante. “Escolher o ponto de partida é o arranque da viagem que me levará aos quatros cantos do mundo...” pensei eu até perceber que esta afirmação há muito que perdeu o seu sentido. Desde Copérnico (com confirmação posterior de Galileu) que o mundo é redondo outra vez. E em pleno secúlo XXI a “redondez” do nosso mundo parece óbvia!

E na realidade é. O que me surpreendeu foi o impacto de tal facto. Um mundo redondo não tem início, nem fim. E para quem quer começar uma viagem dá jeito ter um princípio. Assim a minha primeira tarefa (ou dito de outra forma, o desenrolar deste novelo) foi encontrar algo que me fizesse escolher um ponto inicial.

Quando comecei a procurar uma partida, tudo era opção. Qualquer lugar era válido. E logo ali aprendi a minha primeira lição: és totalmente livre para escolher. Quase em simultâneo tinha quatro partidas dispares: Tokyo, Nova Deli, Sydney e Rio de Janeiro. Todas elas com os seus motivos para serem uma escolha válida.

E andei assim durante algum tempo. Saltitando de partida em partida, sem encontrar algo que prendesse a minha escolha. Ainda meio perdido, um pensamento captou a minha atenção. Uma volta ao mundo foge à lógica dita normal. Eu não deveria ser racional mas sim encontrar a minha lógica, se queria escolher um lugar.

E enquanto iniciava esta mudança de raciocinar, uma nova partida entrou no meu leque de opções. O seu nome Istambul. No início era apenas uma possibilidade ténue. Mas foi ganhando força consoante o meu novo raciocinio ia ganhando forma... E passado muitas saudáveis dores de cabeça foi mesmo a minha escolha final.

Existem tantos pontos de partida como existem pessoas com vontade de partir. E não poderia existir melhor lugar para arrancar. Istambul é mítica, transformista e muito bela. Passagem entre o ocidente e o oriente, rica em história e cultura. Serão as suas sete colinas que me levarão a outros destinos...