Thursday, June 7, 2012

No-Mad: World Tour ½ – Um dia...


...partirei atrás do meu sonho.
Esse dia chegou e foi isto que aconteceu:




Obrigado por fazerem parte deste sonho!

Wednesday, June 6, 2012

Um sonho

Um sonho não nasce. Aparece de mansinho. Envolve-te. Um dia acordas mal-disposto. Com fome. Uma que não se satisfaz à mesa. E aí o sonho empurra-te. Guia-te aonde ele quer que tu vás.
Um sonho não se realiza. Nunca o alcanças. Escapa-te pelas mãos quando o tentas agarrar. Está sempre à tua frente a chamar por ti. Leva-te àquele sitio que não imaginavas. Entrega-te emoções grandes demais para guardares para ti.
Um sonho é um guia. Leva-te a outras geografias. Traz-te sorrisos. Abre os teus olhos. Apura os teus sentidos. Faz o coração bater forte e a imaginação fugir livremente. Dá oxigénio e rouba o folego.
O sonho é um construtor. Molda este mundo e o transforma-o em algo belo. Segue pelas ruas da vida, pelas casas das emoções. Ergue o maior edifício. Abre o caminho para a lua. E faz as pessoas correrem atrás de algo que apenas terão no fim das suas vidas...

Tuesday, June 5, 2012

Opera para principiantes


Há muito que queria fazer esta sugestão. A oportunidade nunca surgiu. E é uma sugestão especial. Especial porque se trata do projecto de um amigo. Um daqueles que a estrada da vida nos entrega ao acaso e que acabas por perceber que é uma pessoa especial. Especial porque é um projeto que gosto particularmente.
Como o nome indica o blogue é sobre opera (Opera para principiantes). E tem logo uma coisa a favor: fala de um tema que tanto gosto – música – e de um género particular que não tenho muito conhecimento. Aliás a minha relação com o mundo da opera sempre foi de distância. Associava este estilo ao tipo de cultura que “abomino”. Demasiado distante das pessoas Para além disso era um musical. Não combino bem com musicais. Gosto das coisas separadas: ou ouço um concerto ou vejo uma história. A mistura dos dois nunca me seduziu.
Até conhecer o Daniel, o mundo da opera aparecia em excertos. Verdadeiras obras primas musicais, tinham a capacidade de tocar bem dentro da minha alma. Foram precisas três décadas e o entusiasmo dele para me levar a ver uma opera. Um projecto interessante da Gulbenkien que permite ver boas produções a um bom preço. É verdade que foi uma projecção e não “the real thing” mas abriu-me o apetite para ir a uma opera a sério.
O Daniel não se limita a contaminar os amigos com o bichinho da opera. Ele também escreve sobre isso. E gosto de o ler. Tem uma escrita simples, e que espelha a sua paixão. Em vez de afastar, traz outras pessoas para este mundo. Na minha opinião, deveria estar a escrever para um jornal como crítico. Tornaria o género bem mais popular e contaminaria ainda mais pessoas com a sua paixão. Se tiverem um pouco de curiosidade passem pelo seu blogue. Deixem os vossos comentários e dúvidas. E quem sabe se quando derem conta não terão o bichinho da opera também.
Por mim só posso dar os parabéns ao Daniel e torcer os dedos para que tenha mais leitores. Gosto de pessoas como o Daniel. Pessoas com capacidade para apaixonar outros. Com gosto em gostar. Espero que tenhas muito sucesso com o teu blogue. Por aqui, e mesmo a milhares de quilometros de distância, tens um leitor assíduo...

Monday, June 4, 2012

O mundo cá fora: 6 meses depois


O mundo cá fora é... igual ao mundo aí dentro. Parece impossível, mas é a realidade. Desde muito cedo aprendemos a construir linhas imaginárias. A dizer nós e os outros. A criar uma separação onde ela não existe. A sonhar com sitios longiquos, afastados do nosso lar.
Mas isso não existe. O mundo, este grande e maravilhoso mundo, é feito de pessoas. E essas, na sua essência, são iguais. Sorriem e choram como nós. Zangam-se e fazem coisas irrefletidas. Ajudam de uma forma generosa ou tentam enganar-te. Vivem no seu mundo e constroem outros mundos.
É uma enorme humanidade que encontrei pela viagem. A maioria é generosa e sempre com um sorriso. Já partilhei sonhos e conversas infidáveis. Percebi que o que nos faz mover é na essência o mesmo. Uma vontade de viver, mais forte que qualquer problema ou desafio. Hoje, que andei pelas ruas deste mundo, sinto-me numa grande casa. Aqui tudo é familar. Algo que não me deixa de maravilhar. Existe muito para dizer. Mas este é apenas um post introdutório. Neste momento só tenho isto para dizer. Que o mundo cá fora é igual ao nosso.

Sunday, June 3, 2012

Uma semana diferente


O tempo voa. E sem dar conta acabei por fazer seis meses “on the road”. Uma estranha sensação. O tempo passa a voar e as experiências que acumulei são inesquecíveis. Esta é uma data que merece uma comemoração. Como “presente” tenho uma semana diferente. Este blogue faz uma pausa dos seus moldes normais. Um pouco ao sabor da inspiração, os artigos desta semana são um pouco erráticos. Mesmo assim espero que gostem e um obrigado por me terem acompanhado até agora.
Ah, e na Sexta feira, um pequeno presente para agradecer a vossa companhia...

Thursday, May 31, 2012

Um dia em Vietiane

Tenho de pedir desculpa. Depois de tantos dias, e textos, ainda não te levei a passear por um dia meu. Já escrevi alguns episódios, muitas emoções e ainda mais palavras. Mas nunca te disse como é um dia na viagem. E este é o momento certo. Estou numa cidade que não tem muito para contar. E só tenho planeado escrever os artigos.
Ok, encontro-te à porta do meu quarto. Acabei de sair da casa-de-banho que é comum e fica no corredor. Desculpa, mas vou ter de voltar ao quarto. Esqueci-me da carteira no meio da confusão. O quarto é maior que o habitual. Um single, com duas ventoinhas e muito espaço, que faço questão de ocupar com as minhas coisas. Sacos, meias e um pouco de tudo está espalhada pelo chão. Não te preocupes com as marcas de sujidade na parede. Não te fazem mal e o importante é que os lençois estão limpos e sem bedbugs – esse terror do viajante. Tudo o resto, uma pessoa consegue sobreviver... ou quase, que este calor infernal não desaparece com as ventoinhas.
Bem, vamos descer que é altura de sair daqui e eu já encontrei a minha carteira. Descemos os 3 andares até chegar ao rés-do-chão preenchido por uma recepção e um restaurante. O aspecto é colonial e a simpatia própria deste país. Antes de sairmos tenho de pagar. 50.000 kips pelo luxo de estar num single. Não te assustes, isto é apenas 5 euros. Vamos embora que o meu estomago aperta e preciso de tomar o pequeno-almoço.
Puff... não me consigo habituar ao calor sufocante desta altura. É um ar abafado e humido que te faz suar em bica cinco segundos depois de saires para a rua. Sim... habitua-te, quando estás na rua o suor é um eterno companheiro. Vamos por esta rua à direita da rua principal. Depois da loja das massagens – sempre convidativas – e do hostel-dormitório está um pequeno stand de comida e sandwiches. As sandes são boas, mas é pelo café que aqui venho. E claro pela simpatia dos donos. Não falam inglês, mas o sorriso é universal e a simpatia não precisa de traduções.
Sentemo-nos na pequena mesa de cimento com um jogo de xadrez embutido. A ventoinha traz um pouco de alívio. Daqui podemos ver a rua e tudo o que se passeia nela. Um leque tão variado como a população deste local. Turistas, nativos de motos ou vendedores ambulantes. O café está optimo, como sempre. Altura para fumar um cigarro e aproveitar os 5 minutos de fumo para pensar um pouco na vida. Não poucas vezes este é o momento em que reconheço a sorte da vida que estou a viver. Depois deste momento altura de pagar. 11.000 kips (1 euro e 10 cêntimos) e um estomago satisfeito
Pego na minha mochila azul que tem o computador e vamos para o meu “local de trabalho”. Este é o meu segundo luxo do dia: um café chique. Daqueles que encontramos um pouco por todo o mundo – como o starbucks – e que nos dão a certeza de encontrar lá dentro um espaço com ar-condicionado e wi-fi. Fica no final da rua do hotel. Pelo caminho repara nos Wat's (a.k.a templos) que existem. Limpos e imponentes. São a imagem e a atração desta parte da cidade. São o T na palavra turística desta zona. Mas hoje não é dia de visitas, mas sim de trabalho.
Já tenho a minha t-shirt molhada com o calor que sinto, e a minha cabeça parece uma fonte. Altura de entrar. Uma vez lá dentro, é só escolher um lugar. Ao pé da porta, pode ser? É que não posso fumar cá dentro. A bebida – que é o passe que me permite entrar no meu “escritório” - custa 16.000 kips (1 euro e 60 cêntimos). É mesmo caro por uma bebida, mas não é muito para um escritório com electricidade, ar condicionado e wi-fi. As próximas horas são passadas a escrever, ouvir Deolinda e passear-me pelo facebook. Repara nos turistas e a classe média que entra e sai. Muitos agarrados aos seus computadores, ipads e smartphones.
As horas passam, o trabalho está feito e sol já se pôs. Altura de jantar. Já arrumei e voltamos para a rua. Agora o calor já não é tão intenso. Passamos pela esquina da rua. Não ligues ao condutor de rickshaw que tenta vender uma corrida. “Just walking”, com um sorriso, é a resposta mais rápida e certeira. Ele não desiste e tenta vender o seu segundo produto: “smoke?” pergunta em surdina. “No, no” respondo com um sorriso maior.
Contornamos um dos Wat's e a meio da rua existe um descampado. Aqui estão três “restaurantes” de rua. Sentamo-nos num dos banco de plástico e esperamos uns segundos até que nos entreguem o menu. Para mim escolho uma noodle soup que custa 30.000 kips (3 euros). Algo que é suficiente para satisfazer a fome. Agora já consigo comer com os pauzinhos chineses e, tenho de dizer, que até sabe melhor dessa maneira. Não sei como aprendi. Falta de vergonha ou simples necessidade. Claro que para o caldo é necessário a sopa. Mas para os noodles, galinha e pequenos pedaços de salsicha, os pauzinhos são a melhor opção. E até os rebentos de soja já consigo apanhar.
A hora já é adiantada e é altura de voltar ao meu hotel. Deixo-te, livre para ires para onde quiseres. Eu por mim vou descansar, que um dia de trabalho deixa sempre as suas marcas...

Wednesday, May 30, 2012

Le moi errant: Esquecimento


Para trás ficaram as noites mal dormidas. As cartas entregues e os acordares no meio do desespero. Ficaram as lágrimas. Umas contidas, outras largadas com a fúria da emoção. Os telefonemas e emails. Ficou o esperar pela hora de saída, com a ânsia de quem está perdido no mar e precisa de respirar. Ficaram as filas de trânsito e as sestas num carro que transparecia a minha alma.
Tudo isso ficou coberto na manta do esquecimento. Uma memória vaga e tão distante que parece um sonho perdido no tempo. Essas recordações são agora poeira. A minha memória guarda outros momentos.
Comigo ficou o sorriso gentil. As histórias partilhadas. Ficaram as músicas e os olhares. Uns ternos, outros eternecidos. Ficou aquele abraço sentido no momento de despedida. Ou os cafés, muitos tomados em horas de puro entretenimento. Ficaram os clipes a voar e as partidas que fizemos. Ficam as pessoas, agora e sempre.
A manta do esquecimento também começou a cobrir a minha viagem. Para trás ficam momentos que não vou voltar a sentir. Alguns serão meras memórias vagas. Outras serão o tecido que envolve toda esta aventura.
Descubro assim a benção do esquecimento. Aquele dom de refinar o que vivemos. Que somos nós que escolhemos essa manta. Somos nós que fazemos os buracos pelos quais poderemos vislumbrar as nossas memórias. Mais que ter a sorte de encontrar a felicidade, somos nós que a construirmos. Quer seja a do presente, quer seja a da nossa memória. Até porque o único momento que existe é o agora. O que engloba o passado, presente e futuro num instante só.