Thursday, July 26, 2012

Fim de interlúdio

E com San Francisco termina este interlúdio. Muito ficou para ser escrito, mas sê-lo-á a seu tempo. Para a semana fica o arranque da nova temporada desta aventura. E o destino não poderia ser melhor: Colombia.
Levantando um pouco o véu, a próxima temporada vai trazer mais... confusão. Vão existir mais categorias de artigos. Assim a manta de retalhos vai ser ainda mais retalhada. No entanto, e para quem gostar de alguma ordem, ficam sempre os links das categorias aqui ao lado. Dessa forma conseguem ter um fio (mais) condutor das várias histórias que escrevo.
É possível que os artigos venham a ser um pouco mais espaçados no tempo. Tudo depende da estrada e da viagem. A vontade é a de escrever um artigo por cada dia útil. A realidade poderá ser um pouco diferente. Dentro das categorias que chegaram para ficar destaco a “Um dia em...” Criei alguma simpatia com a mesma e é possível que seja uma que apareça com mais frequência.
O foco é, como sempre, tentar aumentar a qualidade e tornar este espaço num espaço que também é vosso. Trazer-vos para dentro desta loucura de viajar e deixar-vos com um sorriso depois de passarem por aqui.
Bem Vind@s à Season 2 de No-mad :)

Wednesday, July 25, 2012

Cartas para ti... San Francisco


Car@ Leitor@,

“If you're going to San Francisco...” impossível não ouvir esta música - ou trautea-la - ao atravessar a ponte para chegar à cidade. Impossível também não sorrir em San Francisco. Aqui encontras os USA no seu melhor. Sentes no ar a liberdade tão apregoada. As pessoas, todas, são simpáticas. E isto inclui do doutor ao Mendigo. Uma abertura de espirito que te contagia de imediato.
A ajudar é uma cidade que encontras todos os grandes ambientes. Numa caminhada fiz praia, floresta e arranha-céus. É completa e completa-te. Uma daquelas cidades que aconchega as tuas emoções. E que emoções. Tal como LA, também por vezes senti-me num filme. Impossível desviar o olhar dos tenis calçados num conjunto de saia e fato, enquanto as mãos carregam os saltos altos.
E depois, bem, depois também é uma cidade cultural. Quer nas paredes das suas ruas, quer no meio da rua per si. Pela dica de Afonso acabei por ver o festival de Jazz de Filmore. Por entre os palcos milhares de pessoas - tão diversas como os americanos conseguem ser - passeavam-se. Entre bancadas, as barraquinhas de vendas, relembra-nos que este é o american way. O dinheiro está sempre lá, mas coexiste em harmonia com a cultura.
Existem cidades que se querem viver, e depois existem cidades que também são nossas. San Francisco também é minha. Foi uma rápida adaptação aos seus ritmos e truques. Mesmo alguns imprevistos. Como o de carregarmos no stop do bus por um cordel. Algo que já tinha visto na India, mas que não imaginava que tinha tido uma evolução tecnológica para este século. Mas isto é America. Tudo é possível. Até terminar com um High 5 a uma condutora de electrico.
Como adorei esta cidade. Não percas uma oportunidade de a visitar. Ela receber-te-á de braços abertos, sorridente e tranquila.

Um beijo e abraço do puto viajante,
Stran

Tuesday, July 24, 2012

Cartas para ti... L.A.


Cartas para ti... L.A.



Car@ Leitor@,

E de repente já estou noutro continente. Aliás, noutro mundo. Apetece-me dizer que LA não é nada como tenho visto... mas na realidade é o seu contrário. De tantos filmes e videoclips, quando me passeio pelas suas ruas é dificil sentir que estou num local. Mais parece que estou num filme. Tantas foram as vezes que vi estas ruas, estes carros de policia ou estas cabines telefónicas.
Mas LA não é apenas um filme. É uma cidade dura. Cheia de sonhos e pesadelos. Essa dureza marca o rosto dos seus habitantes. Sabes que aqui é preciso muita luta para se conseguir algo. Mas também se sente que és livre de o atingir. O bem e o mal.
No início assustou-me um pouco. A acompanhar a sensação de um cidade que não foi feita para andar mas sim para conduzir. Pior, a sensação de ausência de uma comunidade, mas sim a co-existência de várias.
Como sabes, eu sou um Lucky Bastard. E a minha sorte foi Miranda. Foi ela que me suavizou os traços desta cidade. Levou-me a Venice Beach para sentir a liberdade como apenas existe por aqui.
Tive até a sorte e o privilégio de ver como estas comunidades se integram uma única num espetaculo de basebol. Seguido do fogo de artificio do 4 de julho. Sem dúvida um dia mágico que nunca me vou esquecer. E esta é a verdadeira magia de LA. Não a dos holofotes e estrelas de cinema – perfeita no ecrã mas artificial na realidade. A magia de LA consiste nas suas pessoas. Sonhadoras, combatente e abertas. Que dão um gosto doce a esta terra dura. Ou que te ajudam, como Miranda o fez, a abrir as portas desta cidade.

Um abraço e um beijo do puto viajante,
Stran

Monday, July 23, 2012

Cartas para ti... Kyoto


Car@ Leitor@,

Vim para Kyoto para encontrar o tradicional. O Japão dos templos e das gueishas. Das florestas de bambu e passeios serenos à beira de um canal. Mas encontrei mais. Encontrei Eri. E com ela descobri um equilibrio dificil de igualar, histórias que vou recordar e um pôr de sol que se guarda na alma.
Por esta altura começo a desconfiar que o Japão é preenchido por pessoas que te roubam o folego. É impossível descrever a sensação daqui estar. A primeira palavra que aparece é tranquilidade. Uma que sentimos na nossa alma e que não é feita apenas de paz. É feita de movimento e estimulos. De sorrisos e bom gosto.
No meio disto tudo, percebo que ando há oito meses a viajar. Mais importante, estou quase a terminar a minha experiência asiática. Foi estranho quando percebi isso. Um grande choque. Os últimos tempos foram tão intensos que ainda não tinha tido tempo para ponderar. E fi-lo no meio de outra experiência intensa. É impossível viver o Japão de outra forma.
Mesmo nesta cidade tranquila de Kyoto, a intensidade do Japão sente-se em cada pormenor. Sente-se no metro à hora de ponta quando todos tentam chegar ao seu destino. No comprar duma garrafa de água, pela simpatia humilde do outro lado do balcão. Ou então no olhar sereno de Eri a contemplar um pôr de sol sob esta cidade lindissima.

Um beijo e abraço do puto viajante,
Stran

Sunday, July 22, 2012

Cartas para ti... Tokyo

Car@ Leitor@,

Há muito que não escrevia para ti. Nada melhor que recomeçar aqui, nesta cidade que amei. E Tokyo tem para mim um nome: Keiko. Amiga de uma amiga minha, que se tornou amiga minha também. Mas mais que tudo uma pessoa extrordinária. Não porque voa ou é mais rápida que uma bala. Porque é generosa, simpática e muito interessante. Porque tem a paixão do sonho e decide realiza-lo.
Vi Tokyo pelos seus olhos. Abriu-me as portas desta cidade e deu-me a conhecer tudo de bom que esta cidade tem. Não era uma tarefa fácil. Desde pequeno que imagino vir a Tokyo. Uma cidade que fundia o tradicional com o moderno, com um ritmo que seria impossível de igual. Dizer que tinha as expetativas elevadas é pouco.
E Tokyo foi... muito mais que isso. Poucos sitios me contagiaram como este. Andar pelo meio de das suas ruas é encontrar vários mundos distantes fundidos por um cordel japonês. Podes estar no meio do centro financeiro e encontrar a paz tranquila do espaço verde. Enfrentas a sensação claustrofóbica de atravessar uma estrada em Shybuya ou então delicias-te com uma qualquer comida – e digo qualquer pois não há como errar aqui... tudo é bom!
São muitosos espaços que a cidade te traz. Tudo temperado com uma segurança e paz que apenas encontras aqui. Um dia vou retornar para viver aqui. Esta cidade tem tudo o que o meu espirito de escritor ambiciona: as luzes, os espaços solitários, os jardins, o silêncio e a confusão. Uma cultura poderosa e com pessoas fantásticas e contagiantes.

Um abraço e beijo do puto viajante,
Stran

Thursday, July 19, 2012

Um dia em... Hoi An

Já tens a bicicleta preparada? Optimo. Depois do descanso do outro dia, de certeza que tens força para hoje. Peço desculpa por te trazer a Hoi Han e não te guiar por esta bela cidade. Hoje não vais aos seus templos ou casas históricas. Muito menos vais ao Festival de lua cheia junto ao rio e com as suas velas flutuantes. Deixo isso para explorares ao teu ritmo.
É dia de irmos onde as pernas aguentarem ou a estrada permitir. Começamos de manhã. Por enquanto ainda não está um calor infernal. Vamos a isso. Aos poucos deixamos para trás os hoteis, lojas e ruas desta cidade. O verde começa a compôr a paisagem. Após uns minutos já estamos rodeados dessa cor. Paramos um pouco para admirá-lo. Trata-se do verde dos arrozais. Um paisagem ampla e plana engole-nos. As pessoas, com os seus tradicionais chapeús - e alguns com os seus tradicionais pijamas -, trabalham no campo, numa posição que faz doer só de ver. Pergunto-me como conseguem. A rua não é muito larga e feita de um asfalto que teima em não estar completo. Mas é plano e bom o suficiente para continuarmos.
Gosto do toque aveludado e gentil do ar do Vietname enquanto andamos de bicicleta. Impossível não sorrir enquanto nos apróximamos da primeira vila no caminho. Vivendas perdidas no tempo e um mercado de peixe, cheio de confusão e sabores. Peixe fresco do rio largo que ladeia esta região. Nas suas margens as palmeiras. Sim, por aqui, qualquer recanto parece um paraiso.
Continuamos para outra confusão, a do meio de uma cidade. E quando se trata de uma pequena cidade vietnamita a confusão é... imensa. Altura de seguir o trânsito e fluir como a água. Alguns camiões, muitos carros e tudo o resto é motas e bicicletas. Agradeces as buzinas pois permitem que saibas quem está perto de ti. Tudo aqui parece uma salganhada. Mas uma que flui com a toda tranquilidade. Depois do choque inicial, também tu te enquadras na mesma. É bom saborear este lado do Vietname por dentro. Tudo é um estimulo que te rasga o sorriso. As motos preenchidas com uma criatividade tremenda para transportar mobilias. A “avozinha” em versão miniatura com os dois cestos presos numa vara e o seu chapeu triangular. E sempre que um olhar se cruza com o teu, o sorriso vietnamita que te faz sentir em casa.
Passamos esta confusão e eu tenho de parar. Fiquei sem água. Vamos àquela merceria numa casa vietnamita (construidas na vertical) para nos abastecermos. O melhor é deixar as bicicletas na sombra. Cinco segundos ao sol e passa a ser uma tostadora das tuas partes sensíveis.
“Hi” - gosto de abordar nestas situações em inglês. Percebem de imediato que não sabes falar vietnamita.
“Chao...” -depois começa a tentativa de dizer algo em vietnamita.
Ela sorri do outro lado, um sorriso envergonhado próprio do sudeste asiatico. É sempre uma tarefa complicada - e divertida – a de comprar algo fora dos locais turisticos.
“I want to buy a botlle of water...” ela sorri ainda mais e percebo que não estou a ir a lado nenhum. Sorrio em companhia e porque não há como não sorrir com o seu ar gentil
“ohhh...” olho em volta para ver se encontro uma garrafa. E com o alvo escolhido aponto para o que quero...
“Ohhh...” e continua a dizer algo a sorrir e a dizer algo que não entendo. Pergunto-lhe com gestos quanto é. Responde-me em vietnamita. Altura de eu sorrir...
“Ohhh no vietnamese, no speak...” e começo a contagem com os dedos. Quando chega ao valor ela diz algo, sem parar de sorrir. Troca feita e depeço-me com um sorridente e envergonhado “Cam On”. Por aqui é sempre assim, tudo se faz entre sorrisos.
Abastecidos podemos continuar. Dizemos adeus à senhora que se interroga o que fazemos ali. Agora é altura de encontrar um outro Vietname, o que está em construção. A rua – talvez uma via rápida – está a ser feita. A atestar isso, as grandes máquinas e os homens de capacete branco com que nos cruzamos. A sensação, ao atravessr o seu ruído e poeira, é a de um país em rápido desenvolvimento. Daqui a uns tempos, esta estrada será bem diferente. Por agora, podemos gozar o intermédio e acompanhar a adrenalina do crescimento enquanto continuamos a pedalar.
E sem dar conta é altura de regressar. Afinal o nosso fim não vem com o cansaço (que já se sente) mas com uma portagem que não é para nós. Estás no Vietname e fazer uma inversão de marcha não é assim tão simples. Para mais junto à entrada da autoestrada onde o trânsito se aglomera mas não pára. A rua é suficiente larga para permitir a co-existência de motas, carros e camiões em ambos os sentidos.
Altura de respirar fundo, ganhar coragem e fazê-lo à maneira local. Igual à do Cambodja. Vamos lentamente até ao meio, enquanto por nós as motas fazem tangentes e os carros apitam. Continuamos o nosso ritmo até o atingirmos. A parte fácil está feita. Agora, e sem parar, é altura de enfrentar o trânsito em sentido contrário. Deste lado, parece um monstro multifacetado que te quer engolir. Todo o teu corpo te diz que vais ter um acidente mas tens de o ignorar... bem... quem estou a enganar... tens é de ter muita fé. Começamos a estar em contra corrente. Primeiro é entrar quando existem muitas motas. Estas têm todo o espaço para se desviar, depois... atenção vem aí um carro... temos de ir com mais velocidade para a margem... ele tem de passar por nós e as motas que estão ao nosso lado... quase... quase... ufa... já está! Agora só mais um bocado... umas motas, umas bicicletas e... tarefa concluída!!!
Podemos respirar outra vez e esperar que o nosso corpo pare de termer. O melhor mesmo é descansarmos num café que vi lá atrás. Tinha um belo lago com lotus e tranquilizar o nosso corpo ao sabor de um café suda...

Wednesday, July 18, 2012

Um dia em... Nha Trang

E depois de uma viagem intensa é altura de relaxar um pouco. “Às 5 da manhã?!?” perguntas-me tu. Bem sei que é uma hora imprópria, mas vale o esforço. O lugar de encontro é o mesmo de sempre: à porta do hotel. Espero que a ruela que passaste não te assuste. Nem a porta de garagem que é a entrada do hotel. Garanto-te que a zona é pacífica – como em todo Vietnam - e o quarto é um dos melhores que já tive. Tive direito a duas camas, muito espaço, televisão e casa-de-banho com água quente. Um verdadeiro luxo neste tipo de viagens.
Mas não foi para te mostrar o hotel que te fiz acordar tão cedo. Saiemos desta ruela, cruzemos a marginal e chegamos ao ponto que quero estar: a praia de Nha Trang. Começas a perceber o porquê desta hora. À tua frente tens uma espetacular paisagem. Em breve se tornará mágica. As ilhas, o mar calmo e o sabor a maresia são o palco para o artista principal. Esse desperta um pouco mais tarde.
Por agora, os únicos despertos são os vietnamitas que já abordam a praia. Uns para começar mais um dia de lazer, outros que passam por nós no seu jogging matinal. Há quem tenha energia para fazer um pequeno jogo de futebol. Eu prefiro ficar sentado num banco à beira-mar e deixar o espetaculo começar.
E tem início com uma mudança de cor. O roseado serpenteia o céu, e toca ao de leve o mar calmo à nossa frente. Lentamente o Sol desperta. Com ele, o laranja domina a paisagem, competindo com o verde das ilhas. O som das ondas transportam-nos para um lugar intemporal. Podia ser o terminar de um dia ou começar de outro. Degustamos este paraíso lentamente. Com uma alma que rejuvenesce a cada segundo. Impossível não sorrir.
Lentamente, ao ritmo de um sol que desperta, voltamos ao nosso banco. Olhamos em volta e a cidade também acorda. Altura de passear um pouco. O melhor é seguir a larga marginal que acompanha o mar. No passeio, centenas de pessoas praticam os seus desportos matinais. Fazem alongamentos na areia, flexões no jardim que medeia a praia e a marginal ou então jogam bagdminton. O que eu mais gosto de ver é o tai chi colectivo. Uma dança bem coreagrafada e que transmite uma paz que combina com este espaço.
Seguimos a avenida até ao seu final. Passamos por muito resorts. Afinal estamos em Nha Trang, para todos os efeitos uma megapolis turistica. Mas quando passamos esta avenida, na companhia do mar, o cenário muda e regressamos a um Vietnam mais tipico, com casas baixas, bicicletas e motas na rua e um sitio para comer em cada... espaço disponível. É sempre hora para comer, e com o estomago a apertar eu faço o mesmo.
Queres alguma coisa? No meu caso vou comer uma baguete com ovos mexidos (um verdadeiro vício) com um café suda a acompanhar – um vicio ainda maior. Este ultimo é um simbolo deste país. Café com leite condensado e gelo. A bebida perfeita para um calor que às 7 da manhã já se sente.
Os vietnamitas olham curiosos e quando os nossos olhares se cruzam, sorriem. Este é o país dos sorrisos. Encontra-os em todo lado. É uma sensação extraordinária. O pequeno almoço está tomado, e quero-te levar a um sitio que vi noutro dia. É só seguir esta rua até ao final. Depois, quando ela sobe para a montanha em direcção ao ferry, entramos numa daquelas que à primeira vista não o deveriamos fazer. Uma ruela que vai apertando até apenas ter espaço para nós.
Por aqui as casas parecem de férias. As pessoas parecem gozar um descanso enquanto saboreiam a comida e nos estranham. Sorriem com o nosso sorriso e deixam-nos partilhar esta rua longe dos roteiros turisticos. Lá no fim encontramos o mar uma vez mais. Um veludo cintilante com o reflexo do sol. A beira do mar, as casas de madeira dos pescadores. Uma mulher toma o seu banho enquanto alguns navegam entre a terra e os barcos de pesca nos cestos aquáticos. O toque salgado do vento tempera a paisagem e é altura de nos deixarmos perder nesta paisagem...